Los Toperas

Jornalismo, videogames e seres abjetos

25 junho 2006

[histórico] Quantidade de texto na revista e na Internet

Uma convenção que impera na Internet é a de que os textos devem ser curtos e sucintos, uma vez que as pessoas não têm tempo e paciência para ler milhares de caracteres na tela de um monitor. Porém, a rede mundial de computadores conta com espaço praticamente ilimitado de tamanho – uma vantagem sobre qualquer mídia impressa.

Por isso, o jornalismo de games se encontra num círculo vicioso: as revistas especializadas costumeiramente privilegiam as fotos ou ilustrações em detrimento de textos extensos e na Internet as matérias não podem ser longas porque o próprio meio não permite. Apenas alguns raros veículos da rede ignoram essa máxima, invertendo esse cenário com reviews gigantescos e quantidade espantosa de detalhes e informações.

Curiosamente, quando as publicações de games ainda eram incipientes, elas possuíam menos fotos (talvez pela dificuldade técnica de se conseguir boas screenshots), mas com o passar do tempo a proporção de imagens e texto ficou desigual e, hoje, não é raro encontrar uma análise com apenas três fases.

Almejando quebrar esse padrão, imaginei que a Continue pudesse contar com textos gigantescos e número mínimo de fotos. No entanto, percebi que as imagens também devem aparecer em quantidade satisfatória, já que têm papel fundamental na composição de uma página. Mas ao mesmo tempo não descartei minhas convicções e discordo completamente quando dizem que uma publicação com muito texto é chata e cansativa.

É óbvio que uma revista não deve ser como um livro com quantidade nula de imagens, ainda mais se tratando da área de games, em que o apelo visual é forte. Porém, sempre fico com uma dúvida ao ver qualquer página de uma revista de jogos eletrônicos: essa publicação não levaria muito mais conteúdo para o seu leitor se em vez de todas essas fotos tivéssemos textos maiores?